sábado, 15 de outubro de 2016

O clichê de um café e um amor


Nuvens cobrindo o céu de uma manhã de inverno e as nossas duas xícaras de café, ainda quentes, apesar dos frequentes sopros de vento. Eu mexo e remexo a colher de chá, faço ondas nessa liquidez que levam e trazem a minha solidão. 
Pego o jornal aonde as palavras se embaralham, sinto falta nesse momento do teu beijo em minhas bochechas dizendo'' bom dia''. Espero para tomar o meu café e até o deixo esfriar, enquanto a carência e o medo em não te ver voltar apertam o meu peito.
O vento continua a soprar e bagunça os meus cabelos, brinco comigo mesma, faço caretas e aprecio algum momento de liberdade. Sei que minhas maças estão enrubescendo e sinto as minhas mãos ficarem frias. Vou dar outro gole para me esquentar, vejo que a minha xícara já acabou. Hesito antes de tomar o teu, em tua xícara, que eu insisto em mantê-los intactos. Permaneço relutante que você aparecerá e terei a sua companhia para o meu abrigo.
Vejo às horas, nunca passam. Pego o jornal, nada consegue prender a minha atenção. Dou o primeiro gole. Aquele que desce frio e amargo, com a solidão raspando a minha garganta. Isso era você, não posso substituir a tua parte em meu cotidiano.
Olho para a mesa, vejo o teu lugar vazio. A tua xícara que não era mais de tão tua exclusividade. O jornal que você não amassou ao tirar de minhas mãos para me dar um beijinho.
Agora sou eu e minhas mãos frias que as tuas quentes mãos não aquecem mais. Sei que você não vai voltar, mas há mais café, para nós dois.

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