domingo, 16 de outubro de 2016

Aos 13: paixão, febre e tempos de cólera

Eu queria um amor ridículo, inconveniente, asfixiante e consumidor que não me desse espaço para pensar. 
Queria um amor que me fizesse berrar até a garganta sangrar. Que me fizesse estiletar o braço com seu nome. Um amor que me escutasse chamando seu nome de cidades à distância e pudesse acalmar o caos do meu universo com um simples abraço. 
Um amor cujo beijo causasse aquele frio na barriga adolescente e quando tocasse o meu corpo, fizesse eu me sentir apenas sua mulher. Que me tornasse virgem e intocada ao desabotoar do meu sutiã e no percorrer de seus dedos sob meus caminhos.
 Aquele amor colérico, causador de dores de cabeça que só são curadas com um longo beijo. Alguém que morresse de ciúmes de todos os meus amigos e me xingasse todas as vezes que ficasse inseguro - fazendo eu enxergar o menino que existe em seu olhar. Um amor que me instigasse a tatuar seu nome por lugares espalhados do meu corpo, sonhando que um dia pertenceríamos um ao outro. O amor obsessivo, que me fizesse comprar o seu mesmo perfume e usá-lo em todas as minhas roupas para cheirá-las e senti-lo presente nas noites que não estivesse comigo. 
Que me fizesse escrever poemas explicando por A+B o porquê dele ser a razão da minha vida. Alguém que escolhesse a minha roupa, penteasse meus cabelos e pintasse as minhas tortas unhas dos pés. 
Alguém que eu pudesse contar todos os meus segredos mais íntimos e irreveláveis sem medo de julgamento e sem a vergonha de expor o tão temível eu. Queria um amor pelo qual eu precisasse morrer, para tornar lindo o ato de viver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário