quarta-feira, 23 de julho de 2014

Novas mídias e a disseminação no jornalismo

   A partir de 1990 houve uma significativa popularização da internet, com conhecimento de milhares de usuários compartilhados em uma única rede. Sites de busca, blogs, e diversas mídias sociais vieram a ocupar e disputar lugar com a imprensa.

   Antes do advento da internet, a imprensa era o canal que ligava a população a informações de todos os tipos. Hoje cidadãos comuns participam da apuração de fatos e divulgam notícias, que nem sempre são confiáveis.

   Pierre Levy (1999, pg. 58) afirma que o ser humano é preguiçoso e gosta de ter acesso fácil a tudo o que precisa.
     “Na Internet existem dois tipos de navegantes: os que procuram uma informação específica, caçada e os que navegam interessados vagamente por um assunto, denominados de pilhagem, mas prontos a desviar a qualquer instante para links mais interessantes.” (LEVY, 1999, p.58)

   Seguindo a linha de raciocínio de Levy, os internautas que acessam e procuram por determinada informação normalmente investigam e não acreditam em tudo que lêem, enquanto o outro grupo vive navegando e buscando informações a todo custo, mesmo que essas não sejam verídicas.

  Em tempos de impresso, o leitor tinha um ritual de sentar de manhã antes de trabalhar, pegar o seu café e ter um tempo dedicado somente para ler as matérias do jornal local. Com o excesso de informações disponíveis na rede, o leitor de impresso acaba se adaptando ao computador, entrando e acessando diversos portais de notícias.

  Esses portais possuem plataformas multimídias que chamam a atenção, porém nelas existem diversos links, vídeos, chamadas, galerias, que incentivam o internauta a continuar clicando. Essa diversidade e quantidade de informações explicam um leitor que absorve conteúdo sem qualidade, já que é difícil prestar atenção em apenas uma coisa quando está on-line.

   A jornalista Pollyana Ferrari nomeia o conhecimento obtido pelo leitor do web jornalismo de pseudoconhecimento. Absorvido sem alguma participação efetiva, para ela os leitores recebem a informação sem grande comprometimento com a realidade.

    Apesar da facilidade, da instantaneidade que movimenta os veículos on-line e as diversas formas de informação, o jornal impresso ainda é a alternativa mais eficaz para adquirir informação confiável, que foi apurada nos tradicionais critérios jornalísticos. Para os profissionais de comunicação, é comum saber quando um veículo é confiável, quais blogs podem ser considerados como fonte de informação e não acreditar em tudo que vê.  

  Porém é comum que os leigos acreditem em tudo, como acontece em redes sociais. Hoje as pessoas ficam ligadas nas redes sociais e muitas vezes, sabem de de acontecimento (verdadeiros ou falsos) a partir delas. E esses acontecimentos são rapidamente compartilhados e disseminados na rede.

  No jornal impresso, todo conteúdo é planejado e adequado para ser divulgado em cada publicação, enquanto no webjornalismo, o volume é essencial para qualificar um site. Nessa geração de “quanto mais, melhor” tudo vira notícia, colocando em discussão se os critérios de noticiabilidade satisfazem os leitores. Compreendemos que é essencial no web a constante publicação, porém os conteúdos veiculados não devem ser pobres e irrelevantes.

       “A internet ainda está em gestação, a caminho de uma linguagem própria. Não podemos encará-la apenas como uma mídia que surgiu para viabilizar a convergência entre rádio, jornal e televisão. A internet é outra coisa, outra verdade e consequentemente uma outra mídia, muito ligada a tecnologia e com particularidades únicas.” (FERRARI, 2004, p. 45).

     As mídias online devem amadurecer e conquistar um padrão maior de credibilidade em relação ao jornalismo, sem ser comparada e utilizada para substituir outros meios, e sim complementá-los com informação de qualidade.




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