A partir de
1990 houve uma significativa popularização da internet, com conhecimento de
milhares de usuários compartilhados em uma única rede. Sites de busca, blogs, e
diversas mídias sociais vieram a ocupar e disputar lugar com a imprensa.
Antes do
advento da internet, a imprensa era o canal que ligava a população a
informações de todos os tipos. Hoje cidadãos comuns participam da apuração de
fatos e divulgam notícias, que nem sempre são confiáveis.
Pierre Levy (1999, pg. 58) afirma que o ser
humano é preguiçoso e gosta de ter acesso fácil a tudo o que precisa.
“Na Internet existem dois tipos de
navegantes: os que procuram uma informação específica, caçada e os que navegam
interessados vagamente por um assunto, denominados de pilhagem, mas prontos a
desviar a qualquer instante para links mais interessantes.” (LEVY, 1999, p.58)
Seguindo a
linha de raciocínio de Levy, os internautas que acessam e procuram por
determinada informação normalmente investigam e não acreditam em tudo que lêem,
enquanto o outro grupo vive navegando e buscando informações a todo custo,
mesmo que essas não sejam verídicas.
Em tempos de
impresso, o leitor tinha um ritual de sentar de manhã antes de trabalhar, pegar
o seu café e ter um tempo dedicado somente para ler as matérias do jornal
local. Com o excesso de informações disponíveis na rede, o leitor de impresso
acaba se adaptando ao computador, entrando e acessando diversos portais de
notícias.
Esses portais
possuem plataformas multimídias que chamam a atenção, porém nelas existem
diversos links, vídeos, chamadas, galerias, que incentivam o internauta a
continuar clicando. Essa diversidade e quantidade de informações explicam um leitor
que absorve conteúdo sem qualidade, já que é difícil prestar atenção em apenas
uma coisa quando está on-line.
A jornalista Pollyana Ferrari nomeia
o conhecimento obtido pelo leitor do web jornalismo de pseudoconhecimento.
Absorvido sem alguma participação efetiva, para ela os leitores recebem a
informação sem grande comprometimento com a realidade.
Apesar da facilidade, da instantaneidade que
movimenta os veículos on-line e as diversas formas de informação, o jornal
impresso ainda é a alternativa mais eficaz para adquirir informação confiável,
que foi apurada nos tradicionais critérios jornalísticos. Para os profissionais
de comunicação, é comum saber quando um veículo é confiável, quais blogs podem
ser considerados como fonte de informação e não acreditar em tudo que vê.
Porém é comum
que os leigos acreditem em tudo, como acontece em redes sociais. Hoje as
pessoas ficam ligadas nas redes sociais e muitas vezes, sabem de de
acontecimento (verdadeiros ou falsos) a partir delas. E esses acontecimentos
são rapidamente compartilhados e disseminados na rede.
No jornal
impresso, todo conteúdo é planejado e adequado para ser divulgado em cada
publicação, enquanto no webjornalismo, o volume é essencial para qualificar um
site. Nessa geração de “quanto mais, melhor” tudo vira notícia, colocando em
discussão se os critérios de noticiabilidade satisfazem os leitores.
Compreendemos que é essencial no web a constante publicação, porém os conteúdos
veiculados não devem ser pobres e irrelevantes.
“A internet ainda está em gestação, a
caminho de uma linguagem própria. Não podemos encará-la apenas como uma mídia
que surgiu para viabilizar a convergência entre rádio, jornal e televisão. A
internet é outra coisa, outra verdade e consequentemente uma outra mídia, muito
ligada a tecnologia e com particularidades únicas.” (FERRARI, 2004, p. 45).
As mídias online devem amadurecer e
conquistar um padrão maior de credibilidade em relação ao jornalismo, sem ser
comparada e utilizada para substituir outros meios, e sim complementá-los com
informação de qualidade.
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