sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Assédio sexual tem repercussão nacional

Recente campanha coloca em questão qual o limite entre o assédio e a violência sexual


Foto: Divulgação

No mês de setembro foi divulgada uma campanha contra o assédio sexual conhecida como "Chega de Fiu-Fiu". O conteúdo apresentou grande repercussão em variados veículos, contendo relatos de mulheres de diferentes faixas etárias sobre a abordagem dos homens nas ruas e suas reações. Medo, susto, indignação, desespero e raiva são alguns dos sentimentos dessas vítimas.

Um recente caso de assédio aconteceu na primeira semana de outubro, em que o Brasil se chocou com o relato de uma jovem do Rio de Janeiro. Segundo informações do G1, Anne Melo, 20 anos, foi detida ao xingar um policial militar que a chamou de gostosa. A jovem conta que se revoltou e respondeu à abordagem e que vários moradores do Bairro de Fátima assistiram à cena e se indignaram com as atitudes dos policiais. Enquanto isso, a moça era levada à delegacia dentro do camburão, injustamente. O vídeo pode ser assistido na internet através do link: http://www.youtube.com/watch?v=AL4rZCutWaI

O assédio é um ato perturbador, que desmoraliza a mulher, causando medo, raiva, desespero e deixando-as sem saber como reagir. Infelizmente, não existe uma lei que puna o ofensor. Enquanto isso, várias pessoas do sexo feminino passam por situações traumatizantes, sem ter para onde recorrer e buscar ajuda.

A Secretaria da Mulher de Londrina oferece o serviço público do Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CAM). As mulheres que buscam o CAM recebem um atendimento e quando existe violência física são urgentemente encaminhadas à Maternidade Municipal Lucila Balallai através do serviço da Secretária da Saúde conhecido como Programa Rosa Viva.

“As violências de cunho sexual passam pela parte psicológica e não recebemos denúncias de assédio. O que chega até nós são as denúncias de violência física, sexual, psicológica e patrimonial” informa Patricia Raboni, gerente de apoio à mulher no CAM.

Com os freqüentes casos de assédio, a vice diretora da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e também da Comissão Mulher Advogada da OAB, Vânia Queiroz afirma que a mulher está sendo desvalorizada com as atuais propagandas com excesso de exposição do sexo feminino. Músicas, comerciais e roupas insinuantes fazem com que homens ignorantes sintam-se no direito de assediar e perder o respeito com as mulheres.

A coordenadora da Comissão de Estudos sobre violência contra a Mulher no Paraná na OAB , Dra. Sandra Lia, conta que ela mesma evita passar na frente de uma construção no bairro Santa Felicidade de Curitiba, para evitar constrangimentos. Sandra, que é engajada em lutas femininas e no direito da mulher, afirma que ainda não foi encontrado nenhum projeto estadual em relação ao tema.

A dimensão dos assédios é tão grande que reflete no dia a dia de muitas mulheres, em todos os lugares. Não são poucas que deixam de ir a certos destinos, para evitar situações, cruzam caminhos diferentes e também pensam na escolha da roupa antes de sair para evitar aborrecimentos. 

Esses acontecimentos colocam em pauta o direito da mulher, qual o limite entre a violência e o assédio? Para onde a mulher tem que recorrer em casos do tipo e qual a liberdade do homem em relação à classe feminina.


Relatos de mulheres que sofreram com o assédio
Segue alguns depoimentos de moças da cidade de Londrina que sofreram situações de assédio que levaram ao medo, desespero e até ao trauma

Andressa Gongora: 23 anos, estudante de Relações Públicas

“Passei por dois acontecimentos recentemente que me deixaram quieta, intimidada e hoje com medo e incrédula na polícia brasileira.” Andressa conta que indo para a academia, com roupa de ginástica, foi assediada por um carro com quatro policiais perto da Avenida Higienópolis, às 16 horas. Segundo a estudante de relações públicas, os policiais estavam com a arma para fora do carro e gritavam “gostosa” e também “ai, se eu te pego”.

 A outra ocasião, também no período da tarde, a jovem passou na frente do Batalhão da Avenida Santos Dumond, onde novamente foi assediada e desrespeitada. Para Andressa, hoje fica difícil acreditar nos policiais.

Bruna Lombardi: 20 anos, estudante de História

“Quando eu tinha uns 9 anos, eu tava descendo pra casa da minha avó que era umas 4 quadras pra baixo da minha, e parou um fusca do meu lado com um cara pedindo informação, eu, ingenuamente, fui. O indivíduo  estava sem roupas, expondo o pênis e fortemente me puxou pela janela para dentro do carro. Lembro que foi chamado a policia, foi feito a queixa, mas não encontraram o homem e ficou por isso.”

Bruna confessa que ficou desesperada, que ainda era uma menina e nada entendia a respeito. A partir de então, começou a questionar o sexo e ter dúvidas que antes não a incomodavam.

D. :21 anos, estudante de Psicologia

Ela lembra até o dia, 12 de janeiro de 2011. E conta detalhadamente o episódio em que até hoje a traumatiza.
“Era noite, eu estava dentro de um ônibus de Campinas voltando para Londrina. Um policial veio do meu lado e perguntou se poderia sentar ali, eu disse que sim. Ele puxou assunto comigo, por mais de uma hora e começou a elogiar meu corpo. Falava que era professor de educação física e me apalpava, passando a mão por de baixo de minha roupa. Fingia que ia me algemar, pegava minha mão e me obrigava a colocar de baixo de sua farda, dizendo que era para eu pegar em sua pistola. Ele percebeu que eu estava assustada e em choque e ele se aproveitou e ainda me ameaçou a não gritar e não falar nada, pois ele tinha uma arma. Consenti e fiquei quieta.”
Segundo D. seus pais foram fazer a denúncia e ela teve medo de ir junto. Medo de ser encontrada, raiva dos policiais e mal estar em se humilhar contando o que aconteceu com ela para um oficial.
A vítima ainda conta que nunca ninguém o encontrou porque policiais de estrada não mostram passagem para entrar no ônibus.

Marcela Nardo: 23 anos, fisioterapeuta

“Com 12 anos eu fui ao mercadinho do lado de casa e um homem me seguiu de carro, me chamando. Eu fingia não escutar e continuava andando. Ele parou do meu lado para pedir informação, perguntando qual era o nome daquela rua. Eu respondi, apontei a placa na esquina e ele pediu pra eu chegar mais perto, perguntando se eu já tinha visto aquilo. O homem colocou o órgão sexual para fora e tentou me puxar para perto do carro, eu me afastei e sai desesperada”.

Marcela conta que o porteiro de seu prédio afirmou já ter visto o tal homem na região, rondando e assediando meninas na rua.

A fisioterapeuta relembra com raiva outra situação em que um homem a seguia na rua. Assustada ela atravessou e ele foi correndo atrás dela para depois, se aproximar e apertar os seus seios. A reação de Marcela foi dar um soco no estômago do homem, o que o deixou assustado e o fez sair embora correndo.



Karen Debértolis mistura poesia e música


A poetisa, jornalista e professora de Jornalismo buscou inspiração em Murray Schaefler, compositor, escritor e músico canadense

Karen Debértolis em show de poesia e música. Foto: Fernanda Magalhães.

Em um bate-papo com a poetisa, jornalista e professora do curso de Jornalismo da Universidade Norte do Paraná (Unopar) Karen Debértolis, nota-se um grande amor pela literatura. A escritora sempre cultivou o hábito pela leitura e, desde cedo, gostou de escrever. Escolheu estudar Jornalismo pela precisão e objetividade, em vez do aprendizado e metodologia do curso de Letras. 

O ano de 2007 marca uma nova jornada nos trabalhos da jornalista. Ela recebeu um convite do cantor e produtor musical londrinense Bruno Morais para transformar seus textos e poesias em músicas. A partir de então, Karen mostra seus textos à banda, que a acompanha e apresenta uma proposta musical à escritora. Mesmo sendo uma apreciadora da música, Karen afirma não possuir conhecimento de teoria musical.

Segundo ela, a musicalização da literatura é uma área que hoje cresce bastante, sendo muito explorada e recebendo maior suporte e divulgação. Para Karen, o jornalismo pode ser aproveitado como meio para a propagação da literatura, caminhando juntos e um contribuindo ao outro. 

Atualmente trabalho com um grupo, o Coletivo. Apresento-lhes um texto e, depois, vem a proposta. Nosso trabalho se baseia também na teoria de Laurie Anderson sobre as ‘spoken words’ – palavras que falam’. A música dá ainda mais voz à mensagem que tento passar com a poesia”, declara. 

Karen cita Murray Schaefler, compositor, escritor e músico canadense, seu grande inspirador. “Me inspirei muito no Schaefler e na sua teoria do ouvinte pensante. Acredito que essa área esteja crescendo, sendo bastante experimentada. Buscamos reviver a arte que começou com os trovadores.”

Entenda a importância da organização interna


 Estudantes de jornalismo participam de palestra com psicóloga que aborda como funciona a área de recursos humanos e comunicação interna em uma empresa

  Os alunos do 4° e 6° período de Comunicação Social - Jornalismo receberam a visita da psicóloga Ester Falashi na Unopar na quarta-feira, 02. A convite do professor Muriel Amaral, da disciplina Comunicação Organizacional, Ester relatou sua experiência como gerente de RH na empresa Ângelus - Indústria de Produtos Odontológicos, a qual é conhecida pelas inovações.

 De início, Ester explica como funciona a parte de recursos humanos em uma empresa, quais os freqüentes erros e acertos e como fazer com que a comunicação interna funcione.  A psicóloga frisa a importância da cultura dentro de uma empresa, a qual é criada e estabelecida por diferentes grupos e da comunicação entre funcionários em geral. A cultura da empresa é considerada uma identidade, sendo o reflexo das pessoas que ali trabalham, de sua dinâmica, métodos e sistemas organizacionais.

 Segundo a gerente de RH, estabelecer coerência, elo entre as coisas e situar adequadamente as pessoas na dinâmica da organização são os dois propósitos fundamentais da comunicação interna. Quando uma empresa não segue esses propósitos, ocorrem os conflitos, pela falta de clareza e comunicação aos funcionários.

Para planejar e evitar conflitos, a psicóloga sugere que o primeiro passo a ser estabelecido em uma empresa é definir como serão os processos e metodologias. Uma empresa que sabe o que deseja, como realizará seus projetos e como cada um pode colaborar, está preparada para entrar no mercado.

 “São os relacionamentos que fazem a empresa, eles devem ser criados e cultivados de forma efetiva” afirma Ester. Porém, para a psicóloga, muitas empresas deixam a comunicação de lado e acreditam que estão e-mail, jornal e lembretes são o suficiente.

Falashi relembra a época em que o trabalho não era pensado, calculado e o homem era programado a realizar funções repetitivas, o que o tornava uma espécie de máquina. Em contrapartida, atualmente estamos vivendo a gestão do conhecimento, em que o funcionário preza o reconhecimento de seu trabalho. Para isso, explica que um método importante para gratificar os funcionários, é documentar as soluções, idéias e criações.


“Não acredito em motivação dentro de uma empresa, a pessoa deve querer, ir atrás sem que a impulsionem a isso. Mas uma empresa em que não atende às expectativas pode facilmente desmotivar” finaliza Ester.